O depoimento do velho Lula à Justiça beira a ironia socrática - Por Pablo Castro

O velho Sócrataes – filósofo grego morreu com mais ou menos 70 anos de idade antes de Cristo – foi condenado à prisão acusado de corromper a juventude e blasfemar contra os deuses. Ele é considerado patrono Maiêutica e da Ironia como método filosófico da Grécia Antiga.

Sócrates indagava aos cidadãos o fundamento dos valores e das ações que os mesmos possuíam ou praticavam. Indagava sobre o amor, alma, morte, desejo, política, justiça, fé, valores de belo e bom. Indagava sobre as razões primeiras levando seus interlocutores a um exercício desconfortante do pensamento. Sócrates provocava. Sócrates ironizava e confrontava as respostas vazias nos banquetes ou nas praças públicas. Até que fora perseguido pela justiça e condenado a tomar cicuta – veneno – por conta de suas práticas.

Ontem, o Brasil teve acesso ao depoimento do ex-presidente da República que é réu no processo de investigação de propina e corrupção pela operação Lava a Jato, com base entre outras coisas, no Triplex e no sítio como ocultação de patrimônio. Tal depoimento mobilizou milhares de pessoas em sua defesa e até mesmo contra. A imprensa noticiou que seria um grande embate com torcidas tanto pela internet quanto nos espaços físico em Curitiba-Paraná, região Sul do país, no fórum de segunda instância onde o processo está loteado.

No depoimento Lula confrontou seus acusadores e até mesmo o Juiz do caso. O velho barbudo virou a casaca e exigiu provas. Exigiu respeito. Exigiu mais conhecimento da manipulação do processo que nunca foi contra corrupção e sim a favor da grande imprensa e de políticos que controlam delação e liberam gravações. Feito um gladiador na arena, Lula com as bênçãos de Maquiavel colocou para o tribunal aquilo que está velado com roupagem de justiça e jurisdição. O Juiz não conseguiu conter as argumentações do ex-presidente e a força do seu discurso que enquanto réu apontou a necessidade de respeito às instituições e que fazer política não é pecado nem crime.

Os fragmentos do depoimento viraram piada por conta da falta de seriedade no caso. Se a justiça tem provas contra o ex-presidente, que apresente todas e o condenem, porque enquanto isso não acontece o Lula, com o apoio da classe trabalhadora e das pessoas de boa vontade, domina a arena da justiça e de lá finca sua lança e convidando seus acusadores a discutir aquilo que ele afirma ter feito: política.

Se o velho barbudo será condenado, se é culpado ou salafrário, terá a justiça que dizer. Lula diante do Juiz não apresentou medo, não tremeu nem embargou a voz. Quem acompanha a Lava a Jato bem sabe que nenhum réu até agora fez o que ele fez e saiu maior do que entrou.

Lula nem precisou entrar no mérito do Juiz Sérgio Moro senta com políticos de oposição, recebe prêmios e afirma ser isento. Bom, o que Sócrates tem a ver com Lula? Eis aí uma reflexão possível.

Pablo Castro - Poeta, Professor de Filosofia,  tricolor carioca e ativista das causas sociais.