Quero viver como quem vive em despedida - Por Pablo Castro

Quero viver como quem vive em despedida!

Cada dia uma mala, um barco, um ônibus, metrô, um voo.

Cada dia um rumo, um destino, uma estrada, um tudo ou nada.

Quero viver como quem vive em despedida.

Cada dia um amor, um sonho, um amigo, um amante.

Cada dia um beijo, um abraço e um encontro rumo ao desencontro.

Quero viver como quem vive em despedida.

Cada dia um trânsito, um olhar aflito ou contente, uma lembrança.

Quero viver como quem vive em despedida.

Cada dia uma recordação dos afetos ou desafetos.

Cada dia uma avaliação dos sonhos bons e dos pesadelos.

Quero viver como quem vive em despedida.

Mas, cá entre fumaça e desejo, não sei assim viver

Pois o modelo que tenho de despedida é a suicida:

Aquela que diz e avalia o passado, projeta o mundo.

Aquela que mexe com os que ficam chorando ou sorrindo

Despedida que diz o passado, refaz o futuro,

e sobretudo, determina o presente.

Despedida diária suicida.

Quero viver. 

Pablo Castro - Poeta, Professor de Filosofia,  tricolor carioca e ativista das causas sociais.