Polícia conclui: pastor abusou de filho e enteado e ateou fogo nas crianças em Linhares

Após 31 dias de trabalho exaustivo por parte de peritos criminais, agentes da Polícia Civil e bombeiros no caso da morte dos irmãos Kauã Salles e Joaquim Alves, de 6 e 3 anos, ocorrida durante um incêndio na madrugada do dia 21 de abril, no centro de Linhares, a PCES concluiu as investigações que chegaram às causas e à motivação do crime.

Na manhã desta quarta-feira, dia 23, durante coletiva de imprensa realizada na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), em Vitória, o secretário de Estado da Segurança, Nylton Rodrigues; o delegado geral da PCES, Guilherme Daré; o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel D'Isep, e a força-tarefa de Linhares se pronunciaram e deram detalhes sobre as investigações das mortes dos irmãos.

De acordo com o delegado André Jaretta, chefe da 16ª Delegacia Regional de Linhares, o pastor Georgeval Alves Gonçalves, 36 anos, pai e padrasto das crianças, abusou sexualmente, agrediu fisicamente e ateou fogo no quarto onde os meninos foram encontrados carbonizados pela equipe de bombeiros do 2º Batalhão de Linhares.

Conforme apurado pelos peritos criminais, foi encontrado Antígeno Prostático Específico (PSA) – enzima produzida pela próstata e presente no sêmen humano – na cavidade anal das crianças, além de sangue do menino Joaquim no box do banheiro, e fuligem nas traqueias e traços nos pulmões das crianças.

Segundo Jaretta, o pastor estuprou as crianças e, para encobrir o ato de violência sexual, agrediu os meninos até deixá-los desacordados e levou-os ao quarto, onde simulou um incêndio ocasional. Na ocasião, apenas o pastor e as crianças se encontravam na residência.

De acordo com o comandante do 2º Batalhão de Bombeiros Militar de Linhares, tenente-coronel Ferrari, a partir das perícias, concluiu-se que Georgeval utilizou agente acelerante de combustão, no caso, combustível, que propiciou o alastramento do fogo, descartando a hipótese de incêndio ocasionado no sistema elétrico do ar-condicionado. As crianças, conforme a perícia, estavam vivas quando foram queimadas por Georgeval.

Em nenhum momento, durante as oitivas, o então suspeito demonstrou qualquer comoção em relação às mortes das crianças, conforme a polícia. Até o momento, está descartado o envolvimento da mãe das crianças, Juliana Salles, no crime ou a participação de terceiros.

Para os envolvidos no caso, a elucidação do crime foi desafiador, pois envolveu o trabalho incessante de vários profissionais de segurança pública. Ao todo, foram necessárias seis perícias, tanto da Polícia Civil quanto do Corpo de Bombeiros, para se chegar à causa da morte, visto que as informações passadas pelas testemunhas, principalmente por Georgeval, eram incongruentes.

“Esse caso foi totalmente elucidado pela Polícia Civil, peritos criminais e bombeiros. Para que revelássemos, hoje, a verdade, é importante destacar a capacidade, a maturidade e o profissionalismo dos profissionais de segurança pública que conseguiram elucidar esse caso complexo em 31 dias”, disse coronel Nylton Rodrigues.

“Estamos falando de um monstro. Esse caso deixa todos estarrecidos pela monstruosidade e crueldade. Esses laudos são definitivos e serão entregues ao Ministério Público para que a justiça seja aplicada”, completou o secretário de Estado da Segurança Pública.

O pastor Georgeval Alves Gonçalves segue preso no Centro de Detenção Provisória de Viana II, onde está detido desde o dia 28 de abril, por alterar a cena dentro do imóvel incendiado e atrapalhar as investigações.

Indiciado por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulneráveis, o pastor Georgeval pode pegar até 126 anos de detenção. O inquérito será encaminhado, na próxima semana, ao Ministério Público do Estado, que vai oferecer a denúncia à Justiça. A Polícia Civil também vai investigar eventuais abusos sofridos pelas crianças, anteriormente.