Viva São João, Viva Linhares 5 - Por Pablo Castro

Pam, panram, panram, pampam: aos seus lugares. Preparar para cumprimentar o público:  cumprimentar!

Católicos ou não católicos se reuniam na Igreja ao lado da Escola Regina Banhos Paixão para acompanhar os festejos de São João por meio das quadrilhas narradas e agitadas só por figuras carismáticas do Bairro Linhares 5.

Alguns podem chamar de nostalgia, mas memória é mesmo uma coisa capaz até de tornar vivo o que já morto se foi.

É Copa do Mundo, nós sabemos; É ano eleitoral Também  - num momento de fragilidade das forças políticas e total sensação de insegurança jurídica que colocam em evidência um candidato sem nenhum compromisso com o respeito e a dignidade humana e, ao mesmo tempo, a farsa da prisão política de outro forte candidato aclamado nas pesquisas que não basta ser solto, tem de ser legível- : olha o balaio de abóbora?!

São João há de ajudar a nos livrarmos de injustiças, de quem não ri, não se diverte, não festeja!

Anarriê! Êêêêêêê

Aos seus lugares.

Os balaios de abóbora são desafios, emaranhados, problemas, conflitos como bem entende a sabedoria popular. Vencer, superar, subverter os balaios são maneiras de viver o pão de cada dia.

Preparar para o Grande Circulo!

Olha o Caminho do 5:

olha os buracos na entrada do bairro há anos!

- É Verdade!

Olha a praça abandonada!

- É verdade!

- Olha a biblioteca e o espaço com brinquedos para as crianças!

- É mentira!

- Olha o posto de saúde com TODOS os médicos!

- É mentira!

- Olha as 4 empresas de ônibus!

- É mentira!

- Olha a ciclovia!

- É mentira!

- Olha o grande centro esportivo e cultural!

- É sonho!

- Olha a hipocrisia e as conversas fiadas!?

- É verdade!? Rá!

- Olha a desigualdade social!

- É verdade!

 Aos seus Lugares!

Pan, panram, panram, pampam! Preparar para cortar o queijo com figuras que esbanjaram e esbanjam alegria e divertimento.

Gigantes, guerreiros, dançaram, brincaram e afirmaram a vida mesmo quando era a doença, a discriminação, a indignação, a injustiça, a luta, a fragilidade e até a morte suas damas companheiras.

Alô Elivelton Leppaus, Alô seu Antônio, Alô Singrid, Alô dona Josevina, Alô dona Joaninha, Alô seu Zezinho, Alô Marilza, Alô Vera Lúcia, Alô Lúcia Viguini, Alô Weliton, Alô Valdirene, Alô Celê, Alô Evelly, Alô Juliana Leppaus, Alô Emanuelle, Alô Preta, Alô Judite, Alô Fabiane, Alô Sandrinha, Alô dona Maria "do Relógio", Alô Itelvina e Salvador, Alô Graça, Alô Cipriano, Alô Zé Carlos, Alô Natanael, Alô Mateus, Alô dona Marlene, alô Geilza, alô galera do 5, alô os nomes que me escaparam....deve ser a ressaca de quentão.

Alô aos que já foram Dançar São João com São Pedro, alô aos que já não dançam mais no 5, alô ao que dançam e aos que dançarão.

Se tem São João, tem alegria, divertimento, fogo! Esperança.

Se tem São João, tem Luta, garra, sonhos.

Se tem São João, tem ainda um povo que enfrenta os "balaios", "corta cana", "costura", "caminha", "briga", e "partilha".

Se tem São João, tem união, "parceria", "laço".

Se tem São João, não podemos aceitar os moralistas, preconceituosos, injustos que assassinam a vida ou até mesmo provocam os suicídios e atrapalham a dança.

Pan, panram, panram, pampam.

Tem São João, Tem copa, Tem Neymar rolando, Tem gente que deve ser solto e presidente, Tem Linhares 5 e tem um povo que sempre pode mais!

Viva São João com ressaca de quentão.

Bom domingo com água de coco.


Pablo Castro é graduado em Filosofia, escritor e mestrando na UFRJ.