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Chuvas

Governo do Estado destina R$ 385 mil para instituições científicas atingidas pelas enchentes de 2020

Os recursos são direcionados para a aquisição de equipamentos e insumos utilizados na execução dos projetos afetados

12/08/2020 19h57
Por: Redação ES 24 HORAS

As intensas chuvas que atingiram o Espírito Santo em janeiro deste ano provocaram enchentes e deslizamentos de terra de norte a sul do Estado, causando a destruição de ruas, pontes, estradas e construções, além de deixar mortos e milhares de pessoas desabrigadas. O Governo do Estado promoveu muitas atividades para amenizar o impacto nos locais afetados, lançando um olhar especial também às instituições de ensino e pesquisa e aos locais de desenvolvimento de experimentos científicos.

Uma das ações emergenciais partiu da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapes) – autarquia da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), por meio da Resolução 263/2020 que destinou auxílio financeiro de R$ 385 mil para 12 projetos de recuperação de danos causados.

Os recursos são direcionados para a aquisição de equipamentos e insumos utilizados na execução dos projetos afetados. Segundo o diretor-presidente da Fundação, Denio Rebello Arantes, foi necessário considerar que os prejuízos poderiam impactar também a execução de diversos projetos, dificultando o alcance dos objetivos e das metas previstas.

Entre as instituições de ensino e pesquisa que sofreram com as chuvas de janeiro estão a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Também foram registrados danos em laboratórios do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) no norte do Estado.

A diretora técnico-científica da Fapes, Denise Rocco de Sena, revela que durante a análise das propostas pela equipe técnica foi verificada a dimensão da destruição de espaços físicos nos quais são realizados diversos projetos, incluindo experimentos fomentados pela autarquia estadual por meio de editais lançados nos últimos anos.

“Entendemos rapidamente a situação pela qual passavam as instituições e, com agilidade para a liberação dos recursos, procuramos dar as condições imediatas a amenizar os danos causados pela enchente e recuperar importantes pesquisas que representam o resultado de anos de estudos”, afirmou a diretora.

 

Impactos no sul do Estado

A elevação no nível do Rio Alegre em sete metros fez as águas atingirem a área experimental da Ufes na localidade de Rive, município de Alegre. A inundação provocou estragos nas áreas cultivadas de experimentos realizados por grupos e estudantes de pós-graduação, além de áreas em processo de regeneração florestal e da barragem para captação de águas pluviais.

A água barrenta atingiu almoxarifados, depósitos, residências, fábrica de ração e galpão de lacticínios, danificando inúmeros aparelhos eletroeletrônicos, redes elétricas, materiais de escritório e insumos utilizados em aulas práticas dos cursos das Ciências Agrárias.

O professor Dirceu Pratissoli solicitou, e recebeu, apoio financeiro para as Unidades Experimentais Campus Ufes Sul Capixaba, demonstrando o impacto percebido em muitas pesquisas em desenvolvimento. Os maiores danos foram na planta-piloto utilizada no curso de Engenharia de Alimentos e na barragem de irrigação, inviabilizando todas as pesquisas de campo.

“A nossa instituição já está adotando medidas para evitar avarias em suas instalações da área experimental, com a implantação de sistema de alarme e sistema de contenção de alagamentos e transferência para outros locais da unidade do que estiver em áreas de riscos”, destacou Pratissoli.

 

Reposição do Laboratório de Fitotecnia

O Laboratório de Fitotecnia do Ifes, localizado no campus de Alegre, abriga uma série de atividades ligadas de pesquisa na área de Produção Vegetal. Com a iminência de rompimento de uma barragem, no dia 26 de janeiro, houve uma ordem para evacuação da região, incluindo todo o campus.

Equipamentos foram danificados no transporte feito às pressas, e os estragos só não foram maiores por causa da ação de alguns alunos, durante a madrugada, que levantaram os equipamentos para locais mais altos do laboratório.

A professora Ana Paula Berilli destacou que o apoio emergencial foi de extrema importância para a continuidade dos projetos de pesquisa do campus, em especial os vinculados ao Mestrado em Agroecologia, com prazos mais curtos para conclusão.

“É importante destacar que o auxílio emergencial foi liberado de maneira rápida e eficiente, o que nos serviu de estímulo diante das adversidades e também para contagiarmos nossos alunos e membros dos grupos de pesquisa a seguir com nossos projetos, pois muitos dos equipamentos perdidos são extremamente úteis e usados com muita frequência para coleta de dados e obtenção de amostras”, relatou Berilli. “Ficamos muito satisfeitos com o apoio da Fapes e pelo reconhecimento da nossa necessidade”, frisou.

 

Impactos no norte do Estado

A inundação na área de experimento de sistema alternativo do cultivo de cacau, em Linhares, norte do Espírito Santo, destruiu todas as plantas de cacaueiro em estudo. O conjunto de equipamentos de irrigação foi comprometido pela lama, além de ter tido partes carregadas pela água. Houve empobrecimento do solo com o arrastamento de matéria orgânica e de todo nutriente aplicado no experimento.

Segundo o pesquisador do Incaper Enilton Santana, para restabelecer toda a estrutura danificada, é necessário investir no replantio de novas mudas e combater o matagal que surgiu após as chuvas. As plantas precisam de aplicação de matéria orgânica por dois anos para que sejam restabelecidas as condições de desenvolvimento.

Santana coordena o projeto de recuperação do sistema alternativo do cultivo de cacau com o auxílio extraordinário liberado pela Fapes. Ele afirma que as ações serão aceleradas ainda este mês e que a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) atrasou a aquisição de materiais necessários. “O que foi possível fazer, sem a utilização dos equipamentos, já foi executado”, pontuou o pesquisador.

 

Pimenta-do-reino e espécies nativas de Piper

A Fazenda Experimental de Linhares é uma das três fazendas administradas pelo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (CPDI) Norte do Incaper. Às margens do Rio Doce, a fazenda sofreu com alagamentos intensos no início de 2020.

Um grande grupo de pesquisadores trabalha no local e utiliza diversos laboratórios instalados. Muitos estudos recebem fomento financeiro direcionado por chamadas publicadas lançadas pela Fapes. O apoio tem sido fundamental para a atração de jovens talentos – bolsistas de iniciação científica e pós-graduação – e a instalação de experimentos em laboratório e em campo. Dois importantes projetos foram afetados pela enchente de janeiro deste ano.

Uma das pesquisas trata de estratégias para incorporar variabilidade genética ao programa de melhoramento de pimenta-do-reino do Incaper a partir de espécies nativas de Piper. O outro projeto envolve o melhoramento genético da pimenta-do-reino visando à qualidade dos grãos.

O alagamento atingiu o viveiro, construído com o apoio da Fapes, matando parte das plantas cultivadas e comprometendo o restante do experimento, incluindo os materiais genéticos. A estrutura do viveiro foi danificada, assim como o sistema de irrigação.

“Se não fosse o apoio da Fapes, todos os estudos e avanços seriam totalmente perdidos”, ressaltou o pesquisador e coordenador do projeto, Lúcio de Oliveira Arantes. “Não conseguimos ainda avançar com todas as ações do projeto por causa da pandemia da Covid-19, mas com o recurso financeiro será possível restaurar o sistema de irrigação, dentro e fora do viveiro, substituir telhados danificados, ráfia de solo e mourões, e buscar novamente os genótipos perdidos com produção ou aquisição de mudas”, explicou. Com os recursos repassados, foram possíveis as aquisições de moto-bomba, tubos e conexões, tubos gotejadores e emissores para irrigação, por exemplo.

 

Novilhas leiteiras no norte

Com o alagamento da fazenda do Incaper, em Linhares, surgiu a preocupação sobre os efeitos dos resíduos e metais pesados oriundos da tragédia da Mariana, em Minas Gerais, na produtividade e qualidade do amendoim forrageiro e pastagem de braquiária. Houve redução na capacidade de suporte das forrageiras experimentais devido à morte de folhas que ficaram submersas. Com isso, os animais que estavam em avaliação no experimento tiveram que ser retirados dos piquetes e alocados em área reserva.

A agente de Pesquisa e Inovação em Desenvolvimento Rural Mércia Figueiredo aponta, em seu relatório, que será necessária nova análise de solo e correção da fertilidade, controle de invasores, replantio da pastagem e de amendoim forrageiro em áreas com falhas para posterior alocação dos animais na área.

Está prevista a instalação dos futuros experimentos de pastagem e produção animal em áreas da fazenda onde não há previsão de alagamento. Com a mudança de toda estrutura do CPDI-Norte do Incaper para os novos prédios, será gerada a demanda de apoio às ações experimentais como a instalação de viveiros, experimentos em campo agrícolas e pecuários.

“Ainda assim, a área onde é conduzido o experimento será utilizada futuramente no sistema de produção animal da fazenda de Linhares, desde que as devidas ações de manejo e correção da fertilidade sejam feitas conforme especificado para a cultura”, esclareceu Mércia Figueiredo.

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