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Saúde

Diabetes é fator de risco para várias doenças

Em tempos de pandemia do novo coronavírus os diabéticos precisam redobrar a atenção porque estão no grupo de risco para desenvolver os quadros mais graves da Covid-19

14/11/2020 08h03
Por: Redação ES 24 HORAS
Foto: Divulgação Ales/Agência Brasil
Foto: Divulgação Ales/Agência Brasil

Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), insuficiência renal, cegueira e amputação de pernas e pés. Esses são alguns dos problemas que um paciente diagnosticado com diabetes pode ter caso não tome os devidos cuidados. O alerta é da médica endocrinologista Rachel Torres Sasso, coordenadora do Serviço de Apoio e Assistência aos Diabéticos e seus Familiares (SAD) da Santa da Casa de Misericórdia de Vitória.

“O diabetes quando não tratado adequadamente pode promover complicações crônicas tardias com alteração nos vasos sanguíneos e nervos, chamados vasculopatia e neuropatia diabética. Como temos vasos e nervos em todo o corpo, um diabético descompensado cronicamente pode apresentar várias comorbidades”, explica.

Para ela é fundamental que os diabéticos tenham acesso aos serviços de saúde e aponta que deveriam existir campanhas de rastreamento e diagnóstico da doença em todo o país. “Após diagnosticado o diabetes a pessoa deveria ter a garantia do tratamento com médico endocrinologista, além de uma equipe multidisciplinar para o adequado controle da doença, que é crônica e para sempre, pois ainda não existe cura, e sim tratamento”, afirma.

Segundo a coordenadora do SAD é muito importante promover a "educação em diabetes", considerada o pilar para o sucesso do tratamento dos pacientes. Entre os cuidados básicos para manter a saúde em dia estão uma alimentação saudável, a prática de atividade física regular e o uso de medicamentos, que podem ser orais ou injetáveis, dependendo do caso.

Quem está sempre atento às condições de sua saúde é o enfermeiro Luiz Rafael Vidal Luz. Hoje com 33 anos de idade, ele descobriu que tinha diabetes aos 10 anos. “É sempre um desafio, mas em todo esse tempo aprendi muito e a cada dia aprendo mais”, esclarece. Ele, inclusive, realiza trabalho voluntário como educador em diabetes na Associação dos Diabéticos do Espírito Santo (Adies).

Vidal fala que o tratamento dele consiste na utilização de uma bomba de insulina e de um sensor de glicose. “Passei por vários tratamentos e hoje tenho um ótimo controle, porém, também preciso de cuidados como uma boa alimentação, realizar a contagem de carboidratos e pesar os alimentos, mas com o tempo a gente se acostuma e tudo vira automático”, diz.

 

Diabetes e Covid-19

Em tempos de pandemia do novo coronavírus os diabéticos precisam redobrar a atenção porque estão no grupo de risco para desenvolver os quadros mais graves da Covid-19, especialmente, os mais idosos e os que não têm a doença controlada. Um dos motivos é que por conta da taxa de glicose alta o sistema imunológico acaba fornecendo uma resposta menor ao vírus SARS-CoV-2.

“O diabético é considerado de alto risco e pode descompensar clinicamente muito fácil. É necessário manter os cuidados e as orientações do seu médico para evitar qualquer tipo de intercorrência, não apenas da Covid-19. Por ser uma pessoa de alto risco, tendo Covid, pode facilmente evoluir para uma fase grave da doença”, reforça Rachel Sasso.

Já Vidal conta que vem tomando vários cuidados e evitando aglomerações. Desde março ele está prestando trabalho na modalidade de home office e está observando todo e qualquer sintoma da Covid. “Acredito que temos que nos adaptar às situações. O diabético com cuidados diários e atenção vive normalmente. Não deixo de fazer nada porque tenho diabetes tipo 1. Faço tudo que qualquer pessoa faz”, frisa.

 

Tipos

De modo geral o diabetes apresenta sintomas como sede e fome excessivas, vontade de urinar várias vezes por dia e cansaço. Dependendo do tipo, ainda podem ocorrer perda de peso, mudanças bruscas de humor, náusea, vômito, demora na cicatrização de feridas, disfunção sexual e infecção na bexiga, pele e rins.

Basicamente existem dois tipos de diabetes mellitus. O chamado Tipo 1 afeta principalmente crianças e adolescentes. É uma doença autoimune que se caracteriza pela falência das células do pâncreas que produzem a insulina. Esse hormônio tem a missão de despejar a glicose dentro das células para geração de energia e a falta do mesmo permite que a glicose fique concentrada no sangue.

No caso do Tipo 2 geralmente as pessoas mais acometidas são as que têm mais de 40 anos e as com quadro de obesidade. A principal causa é a resistência à insulina, geralmente causada pelo excesso de peso ou obesidade. Um dos principais traços é a hereditariedade e, por isso, são frequentes vários casos na mesma família. Aproximadamente 90% dos casos de diabetes são desse tipo.

“O diabetes tipo 1, por ser uma doença autoimune, não temos como prever seu aparecimento. Já o tipo 2, como tem o fator hereditariedade marcante e a obesidade como o principal fator ambiental para desencadear a expressão clínica da doença temos como evitar ao assumir um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, atividade física regular e mantendo o peso dentro da faixa considerada ideal”, avalia Sasso.

Também existe o diabetes gestacional, que aflige grávidas em virtude de hormônios produzidos pela placenta, o que acaba elevando a quantidade de açúcar no sangue da mulher; e o pré-diabetes, um estágio mais intermediário, mas que se não for devidamente cuidado pode evoluir para a concretização da doença no indivíduo.

 

Dia Mundial do Diabetes

Neste sábado (14) comemora-se o Dia Mundial do Diabetes. A data é uma homenagem ao dia de nascimento Frederick Banting, médico que descobriu a insulina junto com seu assistente Charles Best em 1921, na Universidade de Toronto, Canadá. A médica Rachel Sasso comemora o fato como um “marco” no tratamento do diabetes.

“Antes deste evento os diabéticos eram condenados a uma vida curta, sem chance para os diabéticos tipo 1, que são aqueles que o uso de insulina exógena é vital. A data é importante para alertar as pessoas sobre os perigos do diabetes não diagnosticado e não tratado e para alertar as autoridades e gestores de saúde para uma doença que já é considerada um problema de saúde pública decorrente da sua incidência crescente em todo o planeta”, salienta.

Para Rafael Vidal o principal desafio é garantir um tratamento de bom nível para os diabéticos. Ele conta que muitas vezes os municípios não possuem médicos endocrinologistas para atender os pacientes e lamenta a burocracia para obter os medicamentos junto à Farmácia Cidadã estadual.

“O tratamento com bomba de insulina ou os melhores tipos de insulina com ação ultrarrápida é o Estado quem fornece por meio de processo na Farmácia Cidadã, que fornece medicamentos de alto custo. Necessita de muitas provas e documentos. Muitos desistem no meio do processo. De 3 em 3 meses é necessário realizar exames e levar laudo e receita para a manutenção dos tratamentos, sendo que o diabetes é uma doença crônica e que não tem cura”, lembra.

 

Dados

Estudo publicado pela Federação Internacional do Diabetes (FID) em 2015 apontou que o Brasil possuía 14,3 milhões de diabéticos, mas que quase metade das pessoas não sabiam que tinham a doença. As projeções ainda indicaram que em 2040 serão 23,2 milhões de brasileiros com diabetes.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que trabalha a política estadual de diabetes com o fortalecimento da atenção primária. Dados da pasta indicam que o Espírito Santo possui 270 mil pessoas com diabetes. Apenas neste ano 1.287 acabaram sendo internadas em hospitais da rede estadual por complicações da doença.

Em relação à distribuição de medicamentos, a Gerência da Assistência Farmacêutica (Geaf) da Sesa disse que de janeiro a outubro deste ano um total de 2.297 pacientes foram atendidos com medicamentos para tratamento do quadro.

 

Assembleia Legislativa

Os deputados estaduais estão sempre atentos em relação ao tema saúde e com o diabetes não é diferente. Em 2017 foi sancionada a Lei 10.715, que teve como base projeto de Doutor Hércules (MDB). A matéria permite que os portadores de diabetes tipo 1 entrem em espaços públicos e privados e nos eventos de qualquer natureza portando insulina, insumos, aparelhos de monitoração de glicemia, pequenas porções de alimentos e bebidas não alcoólicas.

No final de dezembro de 2019 foi sancionada a Lei 11.093, do Dr. Emílio Mameri (PSDB), que tornou mais rígida a Lei 9.788/2012, que obriga os estabelecimentos comerciais a identificarem adequadamente os produtos destinados aos celíacos, diabéticos e intolerantes à lactose no estado. O objetivo foi de melhorar a sinalização dos locais destinados à exposição de tais produtos.

Confira a íntegra da entrevista com a médica endocrinologista Rachel Torres Sasso. Ela é coordenadora do Serviço de Apoio e Assistência ao Diabético e seus Familiares (SAD) da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, professora da faculdade de medicina da Emescam, mestre em Políticas Públicas, educadora em diabetes e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

 

Quais doenças ou outros problemas de saúde podem ser potencializados por causa do diabetes?

O diabetes tipo 2, que é o mais frequente (90% dos casos), geralmente está associado a obesidade ou sobrepeso. A obesidade é o principal fator ambiental para desencadear a abertura do quadro de diabetes. Com a presença de obesidade é comum problemas cardiovasculares e metabólicos importantes.

O diabetes quando não tratado adequadamente pode promover complicações crônicas tardias com alteração nos vasos sanguíneos e nervos, chamados vasculopatia e neuropatia diabética. Como temos vasos e nervos em todo o corpo um diabético descompensado cronicamente pode apresentar comorbidades como: Acidente Vascular Cerebral (AVC, os chamados derrames), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), lesões nos vasos sanguíneos dos membros inferiores gerando gangrenas com muitas vezes necessidade de amputações, cegueira, lesão renal com necessidade de diálise ou hemodiálise, lesões nos nervos de órgãos como estômago, intestino, bexiga, entre outros. Todas são complicações graves e muitas delas mutilantes.

 

Quais cuidados a pessoa deve ter?

O diabético, antes de mais nada, deve ter acesso à saúde. Acredito que deveriam existir campanhas para rastreamento e diagnóstico do diabetes em todo o país. Após diagnosticado o diabetes a pessoa deveria ter a garantia do tratamento com médico endocrinologista, além de uma equipe multidisciplinar para o adequado controle da doença, que é crônica e para sempre, pois ainda não existe cura, e sim tratamento.

Com os devidos cuidados, incluindo "Educação em Diabetes", que é o pilar para o sucesso do tratamento, esse indivíduo estando motivado, orientado e acompanhado pelos diversos especialistas dificilmente apresentará as complicações agudas e crônicas da doença, que geram muitos custos tanto para o diabético quanto para os sistemas de saúde.

Os cuidados básicos são com relação a uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e uso de medicamentos que, dependendo do caso, podem ser orais ou injetáveis.

 

Em relação à Covid-19 é preciso alguma precaução extra? A pessoa que tem diabetes pode evoluir mais facilmente para um caso grave da doença?

O diabético é considerado de alto risco e pode descompensar clinicamente muito fácil. É necessário manter os cuidados e as orientações do seu médico para evitar qualquer tipo de intercorrência, não apenas da Covid-19. Por ser uma pessoa de alto risco, tendo Covid, pode facilmente evoluir para uma fase grave da doença.

 

Quais são as causas do diabetes?

Existem classicamente dois tipos de diabetes mellitus: O tipo 1, que ocorre mais em jovens (crianças e adolescentes), e o tipo 2, que é frequente nos indivíduos com mais de 40 anos de idade. O diabetes tipo 1 tem como a principal causa a autoimunidade com falência das células do pâncreas que produzem insulina. Já o diabetes tipo 2, que é a forma mais comum, a principal causa é a resistência à insulina, geralmente causada pelo excesso de peso ou obesidade. Esse último (tipo 2) tem herança hereditária marcante, sendo frequente vários casos na família. Por isso necessita de atenção de todos os familiares de primeiro grau de um portador de diabetes.

 

Como é o tratamento de quem possui diabetes?

O tratamento do diabetes consiste em: educação em diabetes, dieta alimentar, atividade física e medicamentos orais ou injetáveis.

 

É possível se prevenir do diabetes?

O diabetes tipo 1, por ser uma doença autoimune, não temos como prever seu aparecimento. Já o tipo 2, como tem o fator hereditariedade marcante e a obesidade como o principal fator ambiental para desencadear a expressão clínica da doença temos como evitar ao assumir um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, atividade física regular e mantendo o peso dentro da faixa considerada ideal.

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