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Como levar sentimentos positivos aos idosos

No principal grupo de risco do novo coronavírus, medo da solidão e de morrer sozinho só se agrava com o isolamento social

26/12/2020 18h32
Por: Redação ES 24 HORAS

Os idosos fazem parte do principal grupo de risco do novo coronavírus. Além de não poderem circular pelas ruas e locais de grande aglomeração para evitar serem contaminados, precisam ser cuidados para que mantenham o equilíbrio emocional. Afinal, o medo da solidão e de morrer sozinho só se agrava com o isolamento social.

Os efeitos que a quarentena pode acarretar no psicológico de pessoas com 60 anos ou mais será o foco da abordagem da terceira, desta série de quatro matérias que o Portal Web Ales preparou.

De acordo com a psicóloga, mestre e doutora em Ciências pela USP, especializada em Desenvolvimento Adulto, Angelita Corrêa Scardua, os idosos normalmente já sentem medo de ficar sem companhias e desamparados. “Isso pode piorar durante a quarentena, principalmente para aqueles que moram sozinhos, pois eles se acham impotentes diante dos fatos, acham que não conseguem se proteger”, explica.

 

Sentimento de solidão

Segundo ela, é comum na velhice o sentimento de solidão, que é diferente do isolamento social. “A solidão é uma percepção que a pessoa tem de se sentir só, mesmo entre mais pessoas. É comum os idosos se sentirem solitários, essa sensação de que não podem contar com as pessoas, de que não têm a quem recorrer, que estão desamparados, até mesmo com os que têm família”, esclarece.

Isso acontece porque muitos idosos desempenham poucas atividades na terceira idade, e o nível de interação social diminui. “Já não tem mais o trabalho, nem aquele círculo de amizades, os filhos cresceram e têm novas famílias. É comum que se sintam solitários, e o isolamento social agrava isso”, completa.

O confinamento, portanto, pode acabar impactando ainda mais na saúde dos idosos, tanto física quanto mental. “O isolamento social acrescido do sentimento de solidão vai levar o idoso a um nível de estresse contínuo, a uma sensação de inquietação, de medo, ansiedade. Esse quadro de estresse vai agravar os sintomas de certas condições clínicas que são comuns na terceira idade, de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”, revela.

A profissional explica ainda que, ao mesmo tempo, esse quadro gera complicações no emocional porque aumenta os níveis de ansiedade, o que contribui para que se desenvolvam sintomas depressivos. “Pode ser uma certa apatia pela vida, uma inquietação, distúrbio de sono, de apetite, desinteresse no autocuidado, na higiene pessoal, até na qualidade na alimentação”, acrescenta.

 

“Contato”

A profissional, especializada nas questões da vida adulta, morte, luto e felicidade, esclarece que, para minimizar esses sentimentos e ajudar a manter a saúde física e mental dos idosos, é necessário dar o máximo de atenção, mesmo sem poder visitá-los.

“É preciso criar condições para ele não se sinta só, para que ele sinta que há pessoas nas quais ele pode confiar, com as quais ele pode contar, que estão disponíveis para ele, para ouvi-lo, conversar com ele, dar atenção a ele. Esse ‘contato’ é essencial”, afirma. “Se há netos, coloque as crianças para conversar, mande vídeos delas com algo engraçado ou com uma mensagem pessoal”, aconselha Angelita.

A bancária Vanessa Rocha, 39, afirma que tem feito dessa maneira com a mãe, dona Crisantina da Silva Rocha. “Ela mora sozinha e, infelizmente, não pode receber visitas. Além de ter 78 anos, apresenta doença pulmonar obstrutiva crônica, ou seja, é grupo de alto risco”, conta.

O irmão que mora mais próximo é o responsável por comprar as coisas para ela, e o restante dos filhos e netos segue ligando constantemente durante o dia para que ela não se sinta tão sozinha. “Mamãe não utiliza celular e isso dificulta um pouco porque a gente não consegue fazer chamadas de vídeo, então é por meio de telefone mesmo que a gente conversa com ela”, revela. Segundo Vanessa, toda a família está se revezando para falar sempre com a matriarca. “Nesse momento, é a forma de amor que temos que ter com nossos idosos”.

 

Dicas

Para evitar esses sintomas que podem surgir entre os idosos, algumas atitudes são necessárias, como a manutenção de uma rotina diária, o mais parecido com a rotina normal, dentro da possibilidade, como definir horários de sono e alimentação. “Isso traz segurança e estabilidade, minimizando os sentimentos de insegurança e medo desse período”, informa a doutora.

Nutrir a rede familiar, de vínculo, é importante para a saúde física e mental dos idosos. “Pessoas que têm familiares precisam se conscientizar de que eles precisam de atenção. Se não posso visitar, que eu ligue todo dia. Se esse idoso consegue usar o computador ou um smartphone, faça uma videochamada duas a três vezes na semana. Pergunte se está tudo bem, evite falar só de problemas e notícias negativas, tente manter uma conversa leve. Eles precisam desse contato”.

A psicóloga Angelita Corrêa Scardua ainda aconselha outras atividades para manter o equilíbrio emocional dos idosos. “É preciso que o responsável ajude o idoso a manter uma rotina de autocuidado. Banho, roupa limpa, casa organizada, são importantes para a manutenção da saúde mental. A falta de cuidado com a higiene pessoal faz mal para a autoestima”, esclarece.

A rotina de atividade física também precisa ser mantida: fazer algum exercício em casa, ou dar uma volta no quintal ou condomínio, o que for possível fazer. Além disso, pegar sol, mesmo que seja na área de serviço, ficar na varanda ou janela vendo o mundo externo, respirar o ar puro, abrir as cortinas e janelas pela manhã, deixar o ar circular e a luz do dia entrar em casa.

“Tudo isso é importante, principalmente o sol, pois ajuda a regularizar o sistema endócrino, o ciclo do sono, e isso tudo influencia na produção de neurotransmissores envolvidos na regulação dos estados de humor”, explica a especialista.

Atividades lúdicas também são mais que recomendadas. “Não só ver televisão, porque muitos estudos mostram que o excesso de telas contribui para sintomas depressivos, mas alternar com outras atividades, como jogo de damas, xadrez, palavra cruzada, fazer crochê, cozinhar, seguir uma receita, jogar baralho, ler livro, ouvir música, enfim, atividades que tragam prazer, distraiam a mente e agucem a capacidade de raciocínio, a memória. Tudo isso ajuda a trabalhar concentração, o que mantém o estado emocional saudável”, expõe.

Para os religiosos, ela recomenda nutrir a fé, seja lendo a bíblia, orando, meditando ou assistindo à missa pela televisão.

 

Sinais de alerta

Por fim, é preciso ficar atento a sinais que podem representar sofrimento emocional, como alterações no apetite (a perda ou o apetite em excesso), mudança brusca no ciclo de sono, que já é diferente do adulto (se está sonolento demais ou tendo muita insônia), apatia excessiva, ausência de vontade de fazer qualquer coisa (se cuidar, pentear o cabelo), prostração, falta de energia, comportamentos paranóicos (preocupação o tempo todo, medo excessivo, inclusive o tempo todo falando só sobre o coronavírus), e também sintomas físicos, como dor no corpo, dificuldade de digestão, dores de cabeça ou alterações gastrointestinais.

“Tudo isso, se já não existiam antes, podem representar sintomas de tensão emocional”, descreve a psicóloga.

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